As principais tendências de customer experience em 2026 giram em torno da IA com contexto: agentes de IA que lembram do cliente e resolvem na hora, atendimento que mistura texto, voz e imagem na mesma conversa, transparência sobre quando a IA decide, qualidade avaliada em todas as conversas e métricas ligadas a receita. O que separa quem colhe resultado é a base: histórico único, processo claro e transferência para uma pessoa quando o caso pede.
A régua do cliente subiu. No Zendesk CX Trends 2026, pesquisa feita em junho de 2025 em 22 países, incluindo o Brasil, 83% dos consumidores acham que as experiências deveriam ser melhores do que são hoje (Zendesk CX Trends 2026). Este guia traduz as tendências para a operação brasileira e fecha com um checklist para o orçamento de 2027.
Resumo: as 7 tendências de CX para 2026
- IA com memória e contexto
- Resolução imediata e autoatendimento com IA
- Atendimento multimodal: texto, voz, imagem e vídeo na mesma conversa
- Transparência e governança da IA
- Qualidade avaliada em 100% das conversas
- Métricas além do contact center
- Pessoas e IA na mesma operação
As cinco primeiras partem das tendências oficiais do relatório da Zendesk; as duas últimas vêm da experiência da BCR em projetos de atendimento. Para o resumo do relatório, veja o Zendesk CX Trends 2026.

As tendências, uma a uma
1. IA com memória e contexto
O que é: agentes de IA que lembram das interações anteriores e personalizam a resposta em escala. O dado: 81% dos consumidores querem que o atendente continue a conversa sem voltar atrás (Zendesk CX Trends 2026). O que muda na operação: a IA só lembra do que está registrado, então histórico único e cadastro limpo deixam de ser projeto de TI e viram pré-requisito de CX. Primeiro passo: garantir que todos os canais caiam no mesmo registro do cliente. Com o histórico organizado, a IA também sustenta a personalização no atendimento sem exigir que o cliente se apresente de novo.
2. Resolução imediata e autoatendimento com IA
O que é: o cliente quer a resposta agora, a qualquer hora. O dado: 85% dos líderes de CX dizem que clientes abandonam marcas que não resolvem no primeiro contato (Zendesk CX Trends 2026). O que muda: o autoatendimento precisa resolver de fato, e não só desviar o contato. Vale medir também a reabertura desses casos, para confirmar que a resposta automática resolveu. Primeiro passo: escolher os cinco motivos de contato mais simples e automatizá-los com base de conhecimento revisada e transferência clara para uma pessoa.
3. Atendimento multimodal
O que é: texto, áudio, imagem e vídeo na mesma conversa, e a troca de canal sem perder o fio. O dado: 76% dos consumidores escolheriam uma empresa que permite mandar texto, imagem e vídeo na mesma conversa (Zendesk CX Trends 2026). O que muda: foto do produto com defeito no WhatsApp, ligação logo depois e tudo no mesmo ticket. Primeiro passo: unificar canais digitais e voz. Veja o atendimento omnicanal, a URA inteligente com IA de voz e a telefonia inteligente com o Zendesk Contact Center powered by Amazon Connect. Nele, a IA de voz pode resolver a ligação de ponta a ponta, sempre com a opção de falar com uma pessoa.
4. Transparência e governança da IA
O que é: o cliente quer saber por que a IA decidiu o que decidiu. O dado: 95% dos consumidores esperam uma explicação para decisões tomadas pela IA (Zendesk CX Trends 2026). Na pesquisa do Capgemini Research Institute de 2026, com 9.500 consumidores em 16 países, 83% se dizem desconfortáveis com agentes de IA registrando dados pessoais sem consentimento. O que muda: regras claras sobre o que a IA pode decidir sozinha, quando ela se identifica e como o cliente chega a uma pessoa. Primeiro passo: uma política de uso de IA no atendimento alinhada à LGPD. Veja governança de IA e LGPD.
5. Qualidade avaliada em 100% das conversas
O que é: a monitoria deixa de olhar uma amostra e passa a cobrir tudo, inclusive conversas de agentes de IA. O dado: segundo a Zendesk, o AutoQA do Zendesk QA avalia todas as interações, inclusive voz, equipes terceirizadas e agentes de IA. O que muda: a equipe de qualidade sai da escuta por amostragem e passa a calibrar critérios e orientar o time. Primeiro passo: revisar a ficha de monitoria antes de automatizá-la. Veja o guia de qualidade no atendimento.
6. Métricas além do contact center
O que é: análise de dados por pergunta em linguagem natural e indicadores de CX ligados a receita e perda de clientes. O dado: 82% dos líderes de CX dizem que a análise orientada por prompts gera insights em segundos (Zendesk CX Trends 2026). O que muda: a diretoria passa a cobrar o efeito do atendimento na retenção, não só o tempo de fila. Primeiro passo: um painel com poucos indicadores, cada um com dono. Veja os KPIs de CX.
7. Pessoas e IA na mesma operação
O que é: a IA resolve o repetitivo e as pessoas assumem o complexo, com transferência que preserva o contexto. O dado: na Pesquisa sobre Experiência do Consumidor PwC 2025, feita nos EUA, 58% dos consumidores se dizem pouco ou nada confortáveis usando ferramentas de IA com marcas. O que muda: surgem papéis novos, como quem cuida da base de conhecimento da IA e quem revisa as transferências. Primeiro passo: definir quando a IA passa o caso para uma pessoa. Depois, revisar com frequência as conversas transferidas, ajustar o ponto de corte da IA e preparar a equipe para receber casos que já chegam com contexto.
O que isso muda na operação brasileira
Os relatórios globais não mostram as particularidades do Brasil. Na operação brasileira, as tendências passam por quatro pontos:
- WhatsApp como canal principal: é por ele que a IA com contexto e o atendimento multimodal chegam primeiro ao cliente. A Conciex, BSP oficial da Meta, leva envio ativo e modelos de mensagem para dentro do Zendesk. Veja o serviço de mensageria.
- Marketplaces e Reclame Aqui no mesmo ticket: o Conciex Channels traz para a fila do Zendesk as reclamações do Reclame Aqui, as reclamações, perguntas e mensagens do Mercado Livre, as conversas da Shopee, as reclamações da Magalu e da CNova e as mensagens da Amazon. No Mercado Livre, na Shopee, na Magalu e na CNova, o ticket já chega com os dados do pedido. As avaliações de produto continuam sendo respondidas na própria plataforma. Veja os apps da Conciex.
- Lei do SAC: o Decreto 13.135/2026, publicado em 13/10/2026, entra em vigor em 02/11/2026 e substitui o 11.034/2022. Para os setores regulados pelo governo federal e os serviços financeiros digitais supervisionados pelo Banco Central, ele deixa a regra explícita: a partir dessa data, a IA poderá triar e resolver, mas a opção de falar com uma pessoa, das 8h às 20h, todos os dias, precisará estar disponível, e pelo menos um canal eletrônico deverá funcionar 24 horas (Planalto). Veja o guia de SAC e o novo decreto.
- Voz com IA: o telefone continua relevante em casos complexos e em setores regulados, e o Zendesk Contact Center powered by Amazon Connect coloca a voz no mesmo espaço de trabalho dos canais digitais.

Há ainda um ponto prático: no Brasil, a mesma pessoa compra no marketplace, pergunta no WhatsApp e reclama em público, muitas vezes no mesmo dia. Por isso, qualquer tendência que dependa de contexto, como IA com memória ou atendimento multimodal, só funciona se esses canais estiverem ligados ao mesmo histórico. Sem essa integração, a IA responde sem saber o que já aconteceu e a experiência piora em vez de melhorar.
Erros comuns ao aplicar as tendências
- Comprar IA antes de organizar a base: sem histórico único e conhecimento atualizado, a IA repete informação errada com mais velocidade.
- Medir só o volume automatizado: contar conversas encerradas pela IA, sem olhar reabertura e satisfação, esconde clientes que desistiram.
- Esconder a pessoa: dificultar a transferência para um atendente irrita justamente os clientes com casos mais sensíveis.
- Tratar governança como tema jurídico isolado: regras de uso da IA precisam estar na operação, nas respostas e nos fluxos, não só num documento.
- Separar qualidade humana e qualidade da IA: as duas precisam da mesma ficha, para que a diretoria compare e ajuste.
Esses erros têm a mesma origem: tratar a tendência como compra de tecnologia, e não como mudança de operação. O orçamento que funciona combina ferramenta, processo e pessoas.
Checklist para o orçamento de 2027
Antes de comprar mais IA, confira se a base está pronta. Seis itens para levar ao planejamento:
- Histórico único: todos os canais, inclusive voz, marketplaces e Reclame Aqui, no mesmo registro do cliente.
- Base de conhecimento pronta para IA: artigos atualizados, com dono e revisão periódica.
- Política de transferência: quando a IA passa para uma pessoa, com que contexto e em quanto tempo.
- QA com IA: ficha de qualidade revisada e avaliação de todas as conversas, inclusive as da IA.
- Painel de KPIs: poucos indicadores, ligados a retenção e custo, com dono definido.
- Governança e LGPD da IA: regras de uso, consentimento e explicação das decisões.

O que já aparece para 2027
Alguns movimentos já estão no radar, sem previsão numérica confiável. A IA deve ganhar mais autonomia para executar tarefas, e não só responder, o que aumenta a importância da governança. A voz com IA tende a ganhar espaço em operações que hoje dependem de menus e filas. E a exigência de transparência deve crescer: no próprio CX Trends 2026, 80% dos líderes de CX dizem que a transparência de IA será exigida em dois anos (Zendesk CX Trends 2026). No Brasil, o marco legal da IA (PL 2338/2023) foi aprovado pelo Senado e ainda está em análise na Câmara, sem data de votação, ou seja, ainda não é lei (Câmara dos Deputados). Até lá, valem a LGPD e o CDC.
Como a BCR ajuda
A BCR faz consultoria de CX e implantação de Zendesk, IA, voz com o Zendesk Contact Center e Conciex e, como opção, opera o atendimento. Veja esse trabalho na prática no case Bauducco e no case Motiva. Conheça os serviços Zendesk, a inteligência artificial da BCR ou dê o primeiro passo.
Perguntas frequentes
Quais são as tendências de customer experience para 2026?
As principais são IA com memória e contexto, resolução imediata com autoatendimento, atendimento multimodal, transparência das decisões da IA, qualidade avaliada em todas as conversas, métricas ligadas a receita e pessoas e IA na mesma operação. As cinco primeiras partem do Zendesk CX Trends 2026.
Quais são as tendências de IA para CX?
IA com contexto, que lembra do cliente, e explicável: 95% dos consumidores esperam explicação para decisões da IA, segundo o Zendesk CX Trends 2026. Na Capgemini 2026, 83% se incomodam com agentes de IA registrando dados pessoais sem consentimento.
Qual é o futuro da experiência do cliente?
Atendimento que resolve na hora, em qualquer canal, sem o cliente repetir a história, com a empresa explicando quando a IA decide. Quem chega lá investe primeiro na base: histórico único, conhecimento organizado e qualidade medida em todas as conversas.
A IA vai substituir o atendimento humano?
Não no horizonte de 2026. Na PwC 2025, feita nos EUA, 58% dos consumidores se dizem pouco ou nada confortáveis usando IA com marcas. O modelo que funciona é híbrido: IA no repetitivo, pessoas no complexo, com transferência sem perder o contexto.
Já existe lei de IA no Brasil?
Ainda não. O PL 2338/2023 foi aprovado pelo Senado e está em análise na Câmara dos Deputados, sem data de votação. Até lá, o uso de IA no atendimento segue a LGPD e o CDC.

